Pesquisas recentes indicam que estudantes bilíngües desenvolvem melhor suas habilidades nas áreas cognitivas. Esta talvez seja a explicação porque estes estudantes geralmente apresentam um melhor desempenho em testes de inteligência verbal, na conceitualização, no pensamento global e na solução de problemas. A criança bilíngüe também tem a vantagem de se apropriar da língua com um distanciamento vantajoso dos mecanismos lingüísticos. Dessa maneira, nas escolas Maple Bear™ a aprendizagem tem significação para a criança, pois ela aplica esse conhecimento em seu cotidiano, podendo se beneficiar imediatamente dessa aquisição.
De acordo com estudos atuais, quanto mais cedo a criança começa aprender uma segunda língua, mais efetiva será sua aquisição. Isto é devido, em parte, pelo fato de a criança possuir habilidades mais generalizadas e da importância da estimulação nessa fase.
Na maior parte dos casos não há obstáculos para que crianças aprendam uma segunda língua. A criança bilíngüe não possui nenhuma habilidade cerebral diferente, nem qualquer processo mental específico diverso daqueles encontrados numa criança monolíngüe. No mundo de hoje ser bilíngüe não é uma situação rara. De fato, as últimas pesquisas estimam que metade da população mundial é bilíngüe ou até multilingüe. Desenvolver o bilingüismo não significa, entretanto, que nas diversas etapas do desenvolvimento da linguagem, as habilidades sejam iguais nas duas línguas. Embora seja difícil para os especialistas precisar ao certo qual língua é dominante, em termos de desempenho, os pesquisadores concordam que no aspecto cognitivo sempre uma das línguas é a dominante. Se uma criança encontra dificuldades de aprendizagem, provavelmente isso não se deva ao ensino bilíngüe e este problema deve ser tratado com cuidado. Nas escolas Maple Bear™ recomenda-se que toda dificuldade de aprendizagem tenha sempre o acompanhamento e a assistência de um profissional especializado.
A inserção da criança num ambiente com elementos culturais diversificados já é um fator enriquecedor do currículo, o que valoriza a pluralidade cultural e, diante de uma realidade globalizante, prepara as crianças para atuarem como cidadãos do mundo. Crianças no programa de imersão bilíngüe Maple Bear™ encontram duas diferentes abordagens na metodologia de seu dia escolar, e a criança bilíngüe logo aprende como lidar com as duas situações com poucas intervenções e a aplicar esse mecanismo para os seus professores e o seu ambiente. Neste ambiente de aprendizagem focado em duas línguas, a criança aprende progressivamente, durante o desenrolar dos períodos escolares, a usar adequadamente a língua específica e as respostas culturalmente apropriadas, o que enriquece suas experiências de aprendizagem.
Pesquisas indicam que há um desenvolvimento seqüencial consistente na aquisição de uma segunda língua por crianças. Primeiramente há um período no qual a criança continua a usar sua língua nativa nas situações da segunda língua. A seguir, a maioria das crianças entra num período não-verbal ou de "silêncio". Depois disso, as crianças começam a usar frases "telegráficas" e "frases feitas" na segunda língua. Finalmente, as crianças começam a produzir frases mais completas na segunda língua.
Durante o período de "silêncio", elas estão trabalhando ativamente na compreensão e no sentido da segunda língua. Elas observam e ouvem com atenção a professora e as outras crianças que usam a segunda língua. Os professores das escolas Maple Bear™estabelecem, então, rotinas e planejam atividades de construção e repetição. Desta forma, a criança pode, progressivamente, se familiarizar com a segunda língua. Durante o período "silencioso", as crianças utilizam também linguagem não-verbal, como gestos e mímicas, para se comunicar na segunda língua. Gradualmente, elas começam a "investigar" a segunda língua, repetindo os sons que elas ouvem à sua volta.
Da mesma forma, como quando aprenderam a primeira língua, as crianças usam a linguagem "telegráfica", ao começar a usar a segunda língua. Esses enunciados tendem a conter uma série de palavras que a criança já aprendeu. Exemplos comuns de linguagem telegráfica incluem identificar os objetos da classe ou nomear e recitar as letras do alfabeto.
"Frases feitas" surgem depois de a criança ter memorizado frases inteiras que elas ouviram de seus colegas ou professores. Frases feitas ou "pré-formuladas", como também são chamadas, são muito úteis por permitir às crianças interagir em situações de brincadeiras com falantes de segunda língua. Frases como "I want to play with you" ou "May I have a…" são exemplos de como as crianças compreendem e adquirem significados para se comunicar na segunda língua.
Após o período de frases pré-formuladas, se inicia uma linguagem mais elaborada, quando a criança começa a desenvolver um entendimento da sintaxe e da estrutura gramatical da língua (o que não significa que neste estágio a criança conheça as regras de sintaxe ou a nomenclatura gramatical, mas sim que já estabelece um método para usá-las). Por meio da comparação e da ampliação ou abandono das frases pré-formuladas e, juntamente com o desenvolvimento e a aplicação das regras da sintaxe da língua, as crianças das escolas Maple Bear™, aprendizes de uma segunda língua, chegam a um controle na produção da nova língua. Elas iniciam, então, seus próprios novos usos da segunda língua e progridem a partir daí, ampliando o vocabulário e as estruturas gramaticais.
As escolas Maple Bear™ oferecem um ambiente significante no qual os alunos percebem a importância de usar a segunda língua. Dessa forma, é de grande valor iniciar a criança no uso da segunda língua o mais cedo possível, a fim de aumentar o grau de proficiência. Como em todo o processo de aprendizagem, existem diferenças individuais. Assim, cada criança progride em seu próprio ritmo no desenvolvimento seqüencial da aquisição da segunda língua. Quando uma criança percebe que ela não pode ou não deve falar sua língua nativa no período de aula da segunda língua, este é o ponto em que ela irá se decidir a fazer um esforço para a aquisição da segunda língua. A motivação desempenha um importante papel na aquisição de um segundo idioma. Ou seja, não é suficiente apenas expor os alunos ao novo idioma. Querer se comunicar com pessoas que falam aquela língua é crucial para que a aquisição ocorra.
Entretanto, há enormes diferenças individuais entre as crianças, e também entre os adultos. Essas diferenças são baseadas em como cada aprendiz se apropria de um novo código, das estratégias empregadas e das características dos indivíduos envolvidos. De um modo geral, crianças que estão verdadeiramente interessadas em aprender a se comunicar na segunda língua, que procuram oportunidades para ouvir e usar a nova língua e que se sentem confortáveis nas situações de interação social, tendem a progredir mais fácil e rapidamente no aprendizado da segunda língua. Por outro lado, crianças que rejeitam a segunda língua e se isolam de falantes da segunda língua, não irão, logicamente, fazer um progresso similar em sua aquisição. Dessa forma, valorizar a segunda língua, dando oportunidades para que a criança a use, é prioridade das escolas Maple Bear™. Da mesma forma, proporcionar oportunidades desse uso, também em seu ambiente fora da escola, é muito importante.
A maioria das crianças que estão se iniciando no aprendizado da segunda língua começa a usar linguagem telegráfica e frases pré-formuladas depois de alguns meses. Uma produção mais elaborada, provocada pelas diversas oportunidades de uso, aparece durante o final do ano letivo e no ano seguinte à entrada da criança no Programa Maple Bear™. Entretanto o grau de aquisição varia entre as crianças.
Isto é normal para crianças que estão se tornando bilíngües; ocasionalmente elas misturam as duas línguas. Isto é conhecido como "troca de código". Isto ocorre naturalmente e depende da audiência e do propósito da comunicação. A "troca de código" geralmente ocorre quando uma criança está tentando clarificar uma idéia ou resolver uma ambigüidade. Ela é também usada para atrair ou manter a atenção do ouvinte ou para elaborar uma afirmação. As crianças algumas vezes misturam as duas línguas quando tentam comunicar uma palavra ou expressão que não está imediatamente disponível para elas na segunda língua. Como as crianças monolíngües, crianças bilíngües também brincam com suas duas línguas, fazendo rimas, inventando palavras e usando certas palavras fora do contexto apropriado.
"Troca de código" e mistura de línguas são fenômenos temporários na aquisição de uma segunda língua. A medida em que as crianças se tornam mais familiares com suas duas línguas, não há mais necessidade ou desejo de combiná-las. As crianças entendem que cada língua tem o seu próprio vocabulário e sintaxe. Elas também entendem que certas pessoas com quem elas estão em contato não falam duas línguas, como elas. Conseqüentemente, elas aprendem a usar somente uma das línguas com determinadas pessoas.
É absolutamente compreensível que as crianças mostrem certos sinais de ansiedade enquanto aprendem uma segunda língua. As crianças em programas de imersão em uma segunda língua são colocadas, algumas vezes, em situações em que têm certa dificuldade e podem achar que não estão conseguindo aprender. Os professores das escolas Maple Bear™ entendem que as crianças algumas vezes precisam usar sua língua nativa para se comunicar, mas eles sempre tentarão ligar essa comunicação de alguma forma com a segunda língua. Os professores das escolas Maple Bear™ usam uma variedade de estratégias adjacentes ao uso da língua, como o uso de gestos, para dar pistas sobre o significado e conectar a comunicação com algo que as crianças já saibam e entendam. É muito importante que as crianças entendam porque estão aprendendo uma segunda língua e neste ponto o apoio dos pais, ao encorajar o processo de aprendizagem, é fundamental.
As crianças aprendem a ler somente uma vez, preferencialmente na língua materna, que é, para ela, a língua dominante. Mas essas habilidades, assim como as tentativas de registro de suas idéias são transpostas para a segunda língua, quase que concomitantemente. Ler não é simplesmente um ato de decodificar, mas dar significado ao que se lê. É certo que as crianças precisam associar certos mecanismos fônicos para melhorar seu desempenho na leitura e escrita, porém as palavras só têm sentidos em enunciados e textos que dêem significados às situações. São os sujeitos em interações singulares que atribuem sentido à linguagem. Essas interações ocorrem também na segunda língua e os registros fazem parte desses intercâmbios sociais. É a partir desse contato que as crianças começam a elaborar hipóteses sobre a escrita; e este processo é antes de tudo, de natureza lógica, de como as crianças começam a compreender a forma pela qual a escrita alfabética em cada língua, representa a linguagem e o significado, que é comum às duas línguas.
O Programa Maple Bear™ oferece um suporte suficiente à aquisição da linguagem de forma que, ainda que os pais não falem a segunda língua, isto não será um problema. Dessa maneira, os pais podem ajudar, fazendo perguntas às crianças, mostrando interesse e envolvendo-se no aprendizado delas. É importante que os pais não sejam exigentes demais e nem cobrem das crianças suas habilidades na segunda língua. Cada criança tem seu próprio tempo e maneiras de aprender, por isso comparações com outras crianças devem ser evitadas.